Ejaculação Precoce (ou Rápida)
A ejaculação precoce ou rápida atinge muito mais homens do que se possa imaginar, principalmente, adultos jovens. Mas conceituá-la não é tarefa fácil, tanto que é controverso o seu conceito entre os próprios especialistas. Classificar por tempo ou número de intercursos é bobagem. Tem gente que fala em oito, outros em vinte intercursos antes da ejaculação. Dois minutos ou sete minutos após a penetração, para aqueles que fixam em tempo pós- penetração. Os conceitos não são uniformes. É preciso ressaltar que existem exceções e compreendê-las é muito importante.
Talvez, o conceito mais aceito entre sexólogos, urologistas e andrologistas é o de que a ejaculação rápida ou precoce está ligada à incapacidade recorrente de o homem exercer controle sobre seu reflexo ejaculatório. Significa dizer que, uma vez excitado sexualmente - com estimulação baixa ou mínima -, ele atinge o orgasmo antes ou logo após a penetração.
Ninguém tem controle ejaculatório todas às vezes. Qualquer um pode ser pego desprevenido em um momento, ejaculando rápido, até mesmo antes da penetração. É normal uma deficiência no controle em algumas situações. Exemplos: quando se é jovem e está aprendendo o jogo sexual, se a estimulação ou as preliminares forem muito intensas, se houver um espaçamento muito grande entre as relações sexuais, ou quando existe novidade de parceira, o que pode gerar mais ansiedade. De 15% a 20% dos meus clientes acham, erroneamente, que são ejaculadores precoces, quando na verdade não são. Acreditam erroneamente serem os responsáveis pelo orgasmo da mulher (“ninguém dá orgasmo a ninguém”) ou terem a necessidade de chegarem juntos (em geral, as mulheres demoram bem mais que os homens a atingirem o orgasmo). Muitas mulheres não chegam ao orgasmo através do coito, necessitando de estímulos diretos, manuais ou orais (algumas necessitam até mesmo de vibradores) e são tão normais quanto aquelas que conseguem pelo coito.
Existem técnicas de manipulação do pênis visando aprendizado de controle que podem ser aprendidas, isso associado ou não à psicoterapia e a medicamentos antidepressivos. Cada caso é um caso, mas um ingrediente é fundamental para que a receita faça efeito: o diálogo com a parceira. O que se adota hoje, em todo mundo, é uma terapia sexual breve com medicamentos, quando necessário. O futuro parece ser muito promissor com uma droga nova, ainda não comercializada que é a dapoxetina.
Só seriam encaminhados para terapia convencional (individual ou de casal) os casos em que o componente vincular é muito forte, ou quando a deterioração da auto-estima é muito acentuada.
Gerson Lopes